sei que agora
você me ama
ainda menos
do que nunca
me amou
entre nós
desaconteceu
o que nunca houve
o nome disso
é desamor?
não, isso nunca
porque tivemos
momentos feitos
de infinito
e o infinito é o
“para sempre”
né?
um encontro
de naturezas que
se reconheceram
em vida
só isso
foi isso tudo
o que ficou
somos uma
raridade
quase uma
fantasia
não fosse
ter acontecido
o beijo de
nossos olhos
carnes, ossos e almas
da boca para dentro
hoje somos a sobra
uma sombra do que
poderíamos ter sido
somos apenas
uma possibilidade
não realizada
pelo destino
(juliana biancato)
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
paliativo
como cobrar permanência
do que é nômade?
de quem é de passagem?
de quem tem hora
marcada com o vento
para vir trazendo tanto
e tão logo partir levando
quase nada?
aqueles preocupados
em não perderem o título
de quem tem muito
a perder na vida
em não perderem o lugar
daqueles que não tem tempo
nem para saberem
se são felizes
nem para perceberem
se sentem ou se sentam
entre os familiares
pelo menos uma vez ao ano
durante a ceia de natal
e sempre surpreendem-se
de como todos cresceram
uns para cima
outros para frente
outros para os lados
e ainda outros
para dentro
os que são sem fundo
submersos em seus
infernos interiores
quando se descobrem
ser apenas
mais uma dessas gentes
que buscam
placebos amorosos
que aliviam paliativamente
os sintomas
do verdadeiro e impossível
experimentado, incurável...
fatal
(juliana biancato)
do que é nômade?
de quem é de passagem?
de quem tem hora
marcada com o vento
para vir trazendo tanto
e tão logo partir levando
quase nada?
aqueles preocupados
em não perderem o título
de quem tem muito
a perder na vida
em não perderem o lugar
daqueles que não tem tempo
nem para saberem
se são felizes
nem para perceberem
se sentem ou se sentam
entre os familiares
pelo menos uma vez ao ano
durante a ceia de natal
e sempre surpreendem-se
de como todos cresceram
uns para cima
outros para frente
outros para os lados
e ainda outros
para dentro
os que são sem fundo
submersos em seus
infernos interiores
quando se descobrem
ser apenas
mais uma dessas gentes
que buscam
placebos amorosos
que aliviam paliativamente
os sintomas
do verdadeiro e impossível
experimentado, incurável...
fatal
(juliana biancato)
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
triálogo
por que preciso tanto de ti para ser eu?
(j.b.)
porque nosso coração é dividido
em direita e esquerda
o ventrículo direito e a aurícula direita
não se comunicam com seu pares esquerdos
por isso precisamos dos outros
para que nossos ventrículos e aurículas
possam se comunicar e produzirem ritmos
batuques em diferentes tambores
para nos sentirmos nós mesmos
precisamos compartilhar
(m.s.)
lindo isso!
obrigada, assim fico mais serena
(j.b.)
ficando serena, vai haver serenata...
(m.s.)
numa noite morena de sereno lento
e dançaremos um sonho de valsa
e pediremos bis...
(j.b.)
nada como a ciência e a poesia compartilhadas!
(c.m.)
(diálogo virtual entre juliana biancato, marcelo scalzo e chris macedo)
(j.b.)
porque nosso coração é dividido
em direita e esquerda
o ventrículo direito e a aurícula direita
não se comunicam com seu pares esquerdos
por isso precisamos dos outros
para que nossos ventrículos e aurículas
possam se comunicar e produzirem ritmos
batuques em diferentes tambores
para nos sentirmos nós mesmos
precisamos compartilhar
(m.s.)
lindo isso!
obrigada, assim fico mais serena
(j.b.)
ficando serena, vai haver serenata...
(m.s.)
numa noite morena de sereno lento
e dançaremos um sonho de valsa
e pediremos bis...
(j.b.)
nada como a ciência e a poesia compartilhadas!
(c.m.)
(diálogo virtual entre juliana biancato, marcelo scalzo e chris macedo)
labirinto
queria te falar do meu labirinto
mas sempre me perco perplexa
ao te encontrar perdido
em alguma esquina de mim
e não consigo encontrar
o caminho de volta
para meu interior anterior
é difícil navegar desorientada
perseguindo um norte
que me foge a todo instante
quem sabe asas?
mesmo que de cera
mesmo que derretam ao sol
mesmo que não te levem comigo
então te deixaria só e sem novelo
e voaria para o pico mais alto de mim
e quem sabe um dia
minhas asas lépidas distraídas
num voo delicado
de colibri apaixonado
que suga o mel da flor de romã
lembrariam sem dor
de ter deixado para trás
a tua boca cor de marrocos
num leve beijo de hortelã
(juliana biancato)
mas sempre me perco perplexa
ao te encontrar perdido
em alguma esquina de mim
e não consigo encontrar
o caminho de volta
para meu interior anterior
é difícil navegar desorientada
perseguindo um norte
que me foge a todo instante
quem sabe asas?
mesmo que de cera
mesmo que derretam ao sol
mesmo que não te levem comigo
então te deixaria só e sem novelo
e voaria para o pico mais alto de mim
e quem sabe um dia
minhas asas lépidas distraídas
num voo delicado
de colibri apaixonado
que suga o mel da flor de romã
lembrariam sem dor
de ter deixado para trás
a tua boca cor de marrocos
num leve beijo de hortelã
(juliana biancato)
sábado, 18 de dezembro de 2010
alusão lusitana
Que meu querido São Toninho de Lisboa proteja teus caminhos.
Por favor, dê a Camões o olho de vidro de Fadas, da canção de Melodia.
Um abraço em Fernando, grande Pessoa, fingidor mais sincero que existiu.
Aquela Florbela que me Espanca a alma com Tortura e Fanatismo, entregue a uma bela moça, ao tomarem um pequeno almoço, na manhã de uma noite inteira de “cinismo poético”.
Como "amor e alento são obras do momento", tome um vinho nacional qualquer, cante um fado e fume um haxi.
Eu agora vou chamar um táxi e pedir que me deixe exatamente aqui.
Vou me visitar e passar uns dias comigo.
Curtir minha solidão com um café amargo e ouvir as aventuras e desventuras de Salomão, o elefante de Saramago.
Por favor, dê a Camões o olho de vidro de Fadas, da canção de Melodia.
Um abraço em Fernando, grande Pessoa, fingidor mais sincero que existiu.
Aquela Florbela que me Espanca a alma com Tortura e Fanatismo, entregue a uma bela moça, ao tomarem um pequeno almoço, na manhã de uma noite inteira de “cinismo poético”.
Como "amor e alento são obras do momento", tome um vinho nacional qualquer, cante um fado e fume um haxi.
Eu agora vou chamar um táxi e pedir que me deixe exatamente aqui.
Vou me visitar e passar uns dias comigo.
Curtir minha solidão com um café amargo e ouvir as aventuras e desventuras de Salomão, o elefante de Saramago.
(juliana biancato)
leve desespero
Sim, que seu amor seja sempre tranqüilo e leve como a espuma que se espalha e flutua sobre a onda que quebra.
Eu vez em quando volto à superfície para respirar, mas sou do tipo que mergulha em apneia até onde eu possa agüentar (mesmo sabendo sobre o frio, a falta do ar e a escuridão das profundidades) só para experimentar o fascínio colorido dos cardumes e corais.
Sabe o que é acordar e ver ao lado quem você realmente queria ver? Mas somente isso não bastou às minhas incertezas...
E como resistir à segurança de um amor por inteiro que seja à altura da minha carência?
Ah, que bom seria se apenas amar me bastasse, mas tive o infortúnio de nascer também querendo ser amada...
Acho bonito e guardo em mim esse outro plano onde a magia aconteceu.
Eu ficarei com minha covardia em nunca perguntar o que exatamente queria dizer teu silêncio quando teu olhar demorado esqueceu-se no meu... e tampouco te falar o que queria dizer o meu olhar em resposta.
E o que pretendo fazer com minhas saudades? Matá-las! O que mais eu poderia fazer?
Matarei em mim o que eu mesma criei: sentimentos e lembranças. Questão de tempo e resignação.
Então quando tudo parece estar resolvido, me aparece um enrustido desespero e minha boca não se cala de pedir por teu beijo.
E será que você entenderia que o meu debulhar em saudade, desejo, dor e ciúme, apesar de absurdo, é legítimo?
E assim esqueço à medida que cicatriza a ferida. E agradeço.
(juliana biancato)
Eu vez em quando volto à superfície para respirar, mas sou do tipo que mergulha em apneia até onde eu possa agüentar (mesmo sabendo sobre o frio, a falta do ar e a escuridão das profundidades) só para experimentar o fascínio colorido dos cardumes e corais.
Sabe o que é acordar e ver ao lado quem você realmente queria ver? Mas somente isso não bastou às minhas incertezas...
E como resistir à segurança de um amor por inteiro que seja à altura da minha carência?
Ah, que bom seria se apenas amar me bastasse, mas tive o infortúnio de nascer também querendo ser amada...
Acho bonito e guardo em mim esse outro plano onde a magia aconteceu.
Eu ficarei com minha covardia em nunca perguntar o que exatamente queria dizer teu silêncio quando teu olhar demorado esqueceu-se no meu... e tampouco te falar o que queria dizer o meu olhar em resposta.
E o que pretendo fazer com minhas saudades? Matá-las! O que mais eu poderia fazer?
Matarei em mim o que eu mesma criei: sentimentos e lembranças. Questão de tempo e resignação.
Então quando tudo parece estar resolvido, me aparece um enrustido desespero e minha boca não se cala de pedir por teu beijo.
E será que você entenderia que o meu debulhar em saudade, desejo, dor e ciúme, apesar de absurdo, é legítimo?
E assim esqueço à medida que cicatriza a ferida. E agradeço.
(juliana biancato)
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
lua e conhaque
-Na noite vaga o vagalume mais eu, nativa notívaga.
-Notadamente uma nau a vagar a verve virulenta na noite veloz...
-E insone...
-E instauradora de conflitos como só a noite sabe ser!
-Capaz de pequenos prazeres... palavras!
-Sim, o resto é silêncio.. mas o silêncio q sobra não é apenas tudo?
-Sim, porque aplausos já ganhei mas, silêncio?! ... ainda busco... e me perco se o procuro dentro de mim... nas esquinas ruidosas do meu labirinto particular, onde a poesia tem cheiro de boemia e asas derretidas pelo sol de outros dias quando ainda voava alto.
-A poesia parece sempre ter cheiro de boemia - que me perdoem os que não bebem, mas poeta bom é poeta com os bigodes cheirando conhaque.
-E agora até minha lanterna apagou-se. Vagalume Vagabunda!
-Vosmecê vocifera contra o que, Volátil Vagalume?
-Eu? sou fera velha que uiva em vão para uma lua que nunca terei. Já não mordo nem ladro nenhum coração desavisado. Não sobrou sequer um roubado beijo distraído.
-Lua e conhaque: a poesia prossegue e eu "me preservo, pois noutras suicido" ... passe bem. Beijo, Medéia ou Amélia? tanto faz... O além é que melhor diz o que será... Boa noite, ju-li-a-NA.
-Um brinde ao além e um beijo!
(diálogo virtual entre juliana biancato e cesar felipe pereira)
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